Há inúmeras formas de descrever a vida etérea. Poucas, no entanto, são tão interessantes e detalhadas quanto a que nos faz Paulo, homem erudito e vaidoso que durante toda uma vida escondeu o médium sensitivo que poderia ter sido, e que desembarca agora numa dimensão intermediária do plano astral para desapegar-se do ego e cumprir a tarefa de nos relatar o que se esconde por trás do véu das existências, ou melhor, como realmente é continuar a existir no éter. “Eu me vi duplicar, e a sensação foi estranha. Tanto aquele eu que permanecia deitado na cama de hospital, quanto aquele eu que estava de pé, no meio do quarto, sentiam a mesma perplexidade absurda. Um sentia que se apagava; o outro percebia que ganhava forças. E eu tentava dizer: Calma gente, estou aqui! Não sinto nada”, conta-nos Paulo sobre a percepção da dualidade no exato momento do desencarne, em que desperta para a imortalidade com sucessivas surpresas. A mais curiosa delas é a “volta no tempo”, num tempo sem referencial no nosso plano, que ele nos