Quando o cientista abade Faria deu início a suas conferências públicas em Paris, o estudo do magnetismo estava dividido em dois grupos: os fluidistas adeptos de Mesmer, que seguiam o conceito de magnetismo animal que “emana de todos os seres”, e os espiritualistas, discípulos de Barbarin, que consideravam o magnetismo animal uma “manifestação do poder da alma sobre a matéria”. Faria não admite a teoria de nenhum deles, alegando que nada justifica a denominação de “magnetismo animal” para designar a “ação de adormecer”, e então redireciona o estudo, descarta antigos termos, e cria o método do hipnotismo pela sugestão, rivalizando com Mesmer. Para ele, todos os fenômenos do sono lúcido têm um caráter puramente natural e, com frequência, muito mais intelectual do que ligado à sensibilidade. Afasta, assim, a ideia do fluido magnético no hipnotismo e cria uma teoria revolucionária que o coloca definitivamente como um dos mais notáveis estudiosos do século dezenove.
Esta obra, inédita em língua portuguesa, lançada